Setor privado discute obra de novo centro de convenções


São Paulo – O Brasil, e em particular a cidade de São Paulo, já é um dos maiores mercados mundiais de feiras de negócios. O problema é a falta de espaço: o Anhembi, principal centro local de exposições, já está com sua programação completa até 2016. Os outros grandes pavilhões da cidade (Center Norte, Transamerica Expo Center, Imigrantes, Frei Caneca, Ibirapuera) não são suficientes, ou têm falhas (má localização, poucas vagas de estacionamento etc). Diante deste quadro, a solução seria a construção do Centro de Convenções de Pirituba, que há tempos vem sendo prometido pela prefeitura. “As empresas de eventos estão dispostas a apoiar este empreendimento, mas isto vai depender do modelo de negócio que será adotado”, afirmou ontem Jorge Alves de Souza, presidente do Conselho de Administração da União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe). Há consenso no setor de que, só com recursos do governo municipal, Pirituba dificilmente sairá do papel. “O desejável seria a constituição de uma empresa de capital misto, público e privado, para erguer o Centro. Isto nos daria tranquilidade para investirmos nele”, completou Souza, que é responsável pela organização de algumas das mais importantes feiras de negócios do País, como a Couromoda e a Feira Fórum Hospitalar.

Recorde

Os comentários do executivo foram feitos durante o lançamento da edição 2012 do catálogo da Ubrafe. A entidade divulgou suas previsões para o ano que vem, quando segundo ela ocorrerão no País 201 grandes feiras de negócios (número recorde, que representa um crescimento de 11,6% sobre o ano passado). Nelas, exporão seus produtos e serviços perto de 50 mil empresas (das quais 8.000 estrangeiras) de mais de 40 diferentes segmentos macroeconômicos. Cerca de 5,4 milhões de pessoas visitarão estes eventos. Haverá 3.400.000 m² de área locada nos mesmos, os quais renderão para os promotores das feiras aproximadamente R$ 800 milhões – isto sem contar outras receitas, como a cobrança da entrada nos pavilhões e publicidade. E mais: as atividades que acontecem em função das feiras de negócios – serviços de hotelaria, alimentação, compras em geral, entretenimento – movimentarão algo em torno de três vezes esta soma.

“Hoje as grandes feiras de negócios do exterior já se preocupam em não disputar público conosco, cuidando para que seus eventos não caiam nas mesmas datas”, comemora Armando Arruda Pereira de Campos Mello, presidente Executivo da Ubrafe.

O mercado nacional de feiras de negócios sextuplicou de tamanho entre os anos de 1992 (quando a associação começou a medi-lo) e 2011. “Hoje, em setores como petróleo e gás, construção civil, automóveis e produtos hospitalares, o Brasil conta com alguns dos maiores eventos de negócios do planeta”, confirma Alves de Souza.

Globalização

O setor, no Brasil, tem atualmente forte presença de multinacionais. Companhias brasileiras de tradição foram adquiridas, como no caso da Reed Exhibitions Alcantara Machado ou da Brazil Trade Shows, comprada pelo britânico Informa Group.

Algumas regiões se especializaram em certos tipos de feiras. Ribeirão Preto e Sertãozinho (ambas localizadas no interior paulista) abrigam enormes eventos voltados ao setor sucroalcooleiro. Vitória, capital do Espírito Santo, possui a terceira maior feira de mármore e granito do planeta. Cidades do sul do País têm feiras de siderurgia e de autopeças próprias, as quais recebem compradores da região e também de países como Argentina e Uruguai. “Não se pode mais separar o mercado brasileiro do internacional em se tratando de feiras, o setor se globalizou. Muitos dos negócios fechados nos eventos que ocorrem aqui geram exportação de produtos”, observa Arruda.

Feiras regionais

Outra tendência é as grandes feiras de negócios espalharem “filiais” Brasil afora. “Nos últimos anos têm se multiplicado as feiras regionais, vinculadas aos grandes eventos, em especial em cidades da Região Nordeste”, conta Fábio Luiz Cerchiari, da Spyro HQ Marketing Promocional, consultoria especializada na área. Um bom exemplo é o da paulistana Equipotel, que termina quinta-feira em São Paulo e neste ano organizou em maio a 1ª edição da Equipotel Nordeste no Recife (PE). “Feiras são fatos econômicos, elas não são transportáveis. Então, têm de acontecer na região onde é mais forte a indústria que elas representam”, afirma Arruda, acerca do fenômeno.

O que é comum a todo o País é a constatação de que a atividade trabalha hoje no limite em termos de infraestrutura. “Faltam mais pavilhões para eventos. O setor privado pode até construí-los, mas isto não adianta muito se o poder público não fizer sua parte e oferecer transporte de qualidade ao local”, frisa Arruda.

fonte: DCI

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